Hotel Montebelo Vista Alegre - Ilhavo

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O Montebelo Vista Alegre acaba de abrir em Ílhavo e junta o melhor de dois mundos: um hotel de 5 estrelas com o património vivo de uma marca que existe desde 1824. Em breve, haverá também um museu.

Depois dos arquitetos, dos engenheiros e dos empreiteiros saírem, entraram eles. Pincéis na mão, tintas de várias cores, uma folha para servir de modelo à vista com desenhos de borboletas, flores, pássaros e cavalos. No dia em que a Vista Alegre decidiu abrir o seu primeiro hotel, meia dúzia de metros ao lado da fábrica de onde saem cerca de 65 mil porcelanas por dia, ficou claro: não ia ser preciso comprar quadros porque nas paredes — e por todo o lado — ficaria a loiça.

Já depois das porcelanas coladas, os artistas da secção de pintura foram chamados a dar os últimos retoques. E desde 2 de novembro, data oficial de abertura do novo hotel do grupo Visabeira, quem visita o Montebelo Vista Alegre, em Ílhavo, encontra figuras pinceladas que saltaram de travessas e pratos para as paredes, seja junto aos elevadores ou dentro dos quartos — até nos fraldários há loiças a servirem de decoração.

Costa Nova, Vista Alegre, Ílhavo

“Quem vier 72 vezes pode dormir em 72 quartos distintos, porque todos têm elementos diferentes”, diz António Machado Matos, diretor do hotel. A juntar a este número e aos três pisos do edifício moderno e soalheiro assinado pelos arquitetos Tiago Araújo e Paula Fonseca Nunes, estarão, ainda este mês, mais 10 quartos dentro do Palácio Vista Alegre, que em tempos serviu de residência do fundador da fábrica e que foi integralmente recuperado para o efeito, com uma ligação interna para o hotel principal que é a verdadeira ponte entre o antigo e o moderno.

Sacudindo o pó às porcelanas, o nome do fundador e proprietário original do palácio era José Ferreira Pinto Basto, latifundiário e comerciante que trocou Lisboa por Ílhavo ao perceber o potencial da região em termos de matérias primas e de transporte, com o rio Boco que atualmente se vê de quase todos os quartos — e que é um dos braços da famosa ria de Aveiro — a servir de estrada. As ruínas descobertas durante as escavações para construir o novo hotel não enganam: a Quinta Vista-Alegre da Ermida, assim chamada por causa de uma capela mas também da fonte cuja água deixaria com a vista alegre quem a bebesse, era rica em argila e também em caulino, o minério que “permite que a porcelana coza a altas temperaturas”, explica Filipa Quatorze, responsável pelas visitas à “grande fábrica de louça, porcelana, vidraria e processos chímicos” que Pinto Basto fundou em 1824 e que normalmente são reservadas a profissionais, embora tenham acontecido, excecionalmente, para o Observador.